10 Dicas para Manter o Foco Dentro das Quadras de Tênis
Aprenda técnicas de concentração usadas por Nadal e Djokovic. Rotinas entre pontos, respiração e estratégias para não perder a cabeça em jogos decisivos.

"Minha mão travou de nervosa. Passei de 175 km/h para 150 km/h no saque, e nem percebi." Iga Swiatek, ex-número 1 do mundo, descrevendo um de seus momentos mais difíceis em quadra.
Se até a ex melhor tenista do planeta trava sob pressão, o que esperar de nós? A diferença é o que ela fez depois: respirou fundo, focou no próximo ponto, e venceu. Não foi talento. Foi método.
Estudos apontam que cerca de 70% do sucesso em partidas vem do aspecto psicológico, e 68% das falhas são lapsos mentais. Você provavelmente já sabe disso na prática: aquele forehand que você acerta de olhos fechados no treino some quando o placar aperta. Não é a técnica que falha. É a cabeça. Neste guia, você vai aprender 10 estratégias práticas para manter o foco quando mais precisa, organizadas por momento do jogo.
Por que o foco é tão difícil no tênis?
O tênis é um dos poucos esportes onde você fica sozinho em quadra, sem técnico gritando instruções, sem tempo pedido, sem substituição. Cada decisão é sua. E entre um ponto e outro, sobram 20 segundos para a mente vagar.
Esses 20 segundos são perigosos.
É quando você pensa no erro anterior, no placar, no que o adversário está achando, no sol batendo no olho. A mente dispara em mil direções, e quando a bola vem, você já está atrasado. O corpo executa o golpe, mas a cabeça ainda está no ponto passado.
As viradas de lado são momentos vulneráveis para o foco
O que separa jogadores que mantêm o nível sob pressão? Não é talento extra. É ter um sistema para esses 20 segundos. Uma rotina que traz a mente de volta ao presente antes de cada ponto.
As 10 Dicas para Manter o Foco
1. Crie uma rotina entre pontos (e siga-a sempre)
Rafael Nadal ajusta a camiseta, os punhos, coça o nariz, toca nos fios da raquete e bate nas pernas. Sempre na mesma ordem. Parece superstição, mas é estratégia.
A rotina funciona como um "reset mental". Quando você executa a mesma sequência antes de cada ponto, o cérebro entende que é hora de voltar ao presente. Não importa se você ganhou ou perdeu o ponto anterior. A rotina é a mesma.
Pode ser simples: respirar fundo duas vezes, ajustar as cordas da raquete, escolher o alvo. O que importa é repetir sempre. Djokovic quica a bola exatamente o mesmo número de vezes antes de cada saque. Federer olha para o ponto onde quer acertar, visualiza, executa. Cada um tem o seu ritual, mas todos têm um.
A maioria dos amadores não tem rotina nenhuma. Saem correndo atrás da bola, sacam apressados, e se perguntam por que a cabeça não para. Começa aí.
2. Use a respiração como âncora
Parece básico, mas a respiração é a ferramenta mais subestimada do tênis. Quando você está nervoso, a respiração fica curta e rápida. O corpo entra em modo de alerta, os músculos tensionam, e o swing fica travado.
A técnica 4-7-8 funciona bem entre pontos: inspire pelo nariz por 4 segundos, prenda o ar por 7 segundos, expire pela boca por 8 segundos. É longo demais para usar a cada ponto, mas serve bem nas viradas de lado ou antes de um game importante.
Técnica de respiração 4-7-8 para momentos de alta pressão
Para o dia a dia do jogo, a respiração quadrada é mais prática: 4 segundos inspirando, 4 segundos segurando, 4 segundos expirando, 4 segundos segurando. Dá para fazer nos 20 segundos entre pontos sem atrasar o jogo.
O efeito é fisiológico: a respiração lenta ativa o sistema nervoso parassimpático, que acalma o corpo. Não é pensamento positivo. É química.
3. Tenha um "reset mental" para erros
Um aluno meu treinava forehand impecável, mas em break point a bola desaparecia. Braço travava, swing encurtava, bola ia na rede. O golpe não mudou. A pressão mudou.
Implementamos uma regra simples: depois de qualquer erro, ele tinha permissão de ficar frustrado por exatamente 3 segundos. Podia xingar baixinho, bater na perna, o que precisasse. Mas quando pisasse atrás da linha de base, acabou. Respiração, rotina, próximo ponto.
O erro mais comum que vejo é tentar fingir que o erro não aconteceu. A frustração fica engasgada, e aparece no próximo ponto. Melhor deixar sair rápido e seguir em frente. O ponto já foi. Não volta.
4. Foque no processo, não no placar
"Concentre-se apenas no próximo saque." Foi o que a psicóloga de Iga Swiatek gritou da arquibancada quando ela estava travando. Primeiro um saque, depois outro. Trazer o foco para o presente, para a execução, não para o resultado.
Quando você pensa "preciso ganhar esse game", a mente já está no futuro. Quando você pensa "vou colocar esse primeiro saque no T com slice", a mente está no agora. A diferença parece sutil, mas muda tudo.
Antes de cada ponto, tenha clareza de uma coisa só. Pode ser onde vai sacar. Pode ser manter a bola funda. Pode ser chegar na bola antes. Um objetivo de execução, não de resultado.
O placar cuida de si mesmo quando você cuida do processo.
5. Simplifique em momentos de pressão
Tie-break, 6 a 5, você sacando. Não é hora de inventar.
A tendência natural sob pressão é querer resolver rápido. Arriscar o winner, forçar o ace, acabar logo com a agonia. E é exatamente aí que o erro aparece.
Os melhores jogadores fazem o oposto: simplificam. Em pontos decisivos, Nadal joga mais fundo, com mais margem de rede, menos risco. A ideia não é ganhar o ponto em um golpe, é não perder o ponto de graça.
Se você tem um plano de jogo claro para situações de pressão, fica mais fácil executar sem pensar. Saque seguro, primeira bola na quadra aberta, trocar até o adversário errar. Simples. Chato. Funciona.
6. Defina objetivos de execução, não de resultado
"Vou vencer esse set" é um objetivo de resultado. Você não controla se vai vencer (depende também do adversário). "Vou flexionar os joelhos em 80% dos golpes" é um objetivo de execução. Você controla 100%.
A diferença é crucial para o foco. Objetivos de resultado geram ansiedade porque dependem de fatores externos. Objetivos de execução mantêm a mente ocupada com o que você pode controlar.
Antes da partida, escolha 2 ou 3 objetivos de execução. Pode ser:
- Fazer split step antes de cada golpe do adversário
- Manter o primeiro saque acima de 60%
- Nunca sacar sem ter decidido onde
Depois da partida, avalie esses objetivos, não só o placar. Às vezes você joga bem e perde. Às vezes joga mal e ganha. O objetivo é jogar bem de forma consistente.
💡 Dica prática: Se você quer organizar isso sem virar escravo de planilha, o TNNSPRO tem um sistema de objetivos de processo que te ajuda a definir metas de execução e acompanhar se você está cumprindo. Dá para fazer no caderno também, o app só encurta o caminho.
7. Use gatilhos físicos para reconectar
Quando a mente viaja, o corpo pode trazer ela de volta.
Alguns jogadores batem na raquete com a mão antes de cada ponto. Outros ajustam o boné. Outros pisam na linha de base com força. São gatilhos físicos, âncoras que sinalizam para o cérebro: "agora é hora de jogar".
O princípio é o mesmo das rotinas entre pontos, mas em escala menor. Um micro-gesto que você faz sempre que percebe a mente dispersa.
Funciona especialmente bem nos momentos de virada de lado, quando você tem mais tempo e a tendência de viajar mentalmente é maior. Em vez de ficar olhando o celular ou conversando sobre o jogo, use o tempo para se reconectar. Ajustar equipamento, respirar, visualizar os próximos pontos.
8. Pratique mindfulness fora da quadra
Mindfulness, ou atenção plena, é a habilidade de estar presente no momento sem julgamento. Parece abstrato, mas é treinável.
Novak Djokovic pratica meditação há anos. Não por misticismo. Por resultado. A capacidade de perceber quando a mente está viajando (e trazê-la de volta) se desenvolve com prática. É como um músculo: quanto mais você exercita, mais forte fica.
Não precisa de nada elaborado. Cinco minutos por dia, sentado em silêncio, prestando atenção na respiração. Quando a mente vagar (e vai vagar), você percebe e traz de volta. Sem julgamento, sem frustração. Só percebe e volta.
O método RAIN ajuda em situações de jogo: Reconheça o que está sentindo (frustração, ansiedade, dúvida). Aceite que o sentimento está ali. Investigue sem julgar. Não se identifique com ele. O sentimento passa. O jogo continua.
O erro que eu mais vejo em quadra
Vou ser direto: a maioria dos jogadores amadores trata o foco como se fosse sorte. "Hoje eu tava concentrado" ou "hoje a cabeça não funcionou". Como se não tivesse nada a fazer a respeito.
O que eu vejo depois de anos trabalhando com alunos é o seguinte: os que evoluem de verdade tratam concentração como técnica. Treinam rotinas entre pontos. Praticam respiração. Anotam quando e por que perderam o foco. Os que ficam estagnados esperam que o foco "apareça" no dia do jogo.
W. Timothy Gallwey, autor do clássico O Jogo Interior do Tênis, escreveu que a maior batalha no tênis não é contra o adversário, é contra a própria mente. Isso foi em 1974 e continua valendo. A diferença é que hoje temos mais ferramentas para treinar essa parte do jogo. Mas ferramenta não adianta nada se você não aceitar que foco é trabalho, não dom.
O padrão que ninguém percebe
O que poucos jogadores entendem é que a perda de foco não é aleatória. Ela segue padrões.
Alguns jogadores desconcentram depois de ganhar um break. Relaxam, perdem a intensidade, devolvem o break na sequência. Outros desconcentram quando estão ganhando fácil (5-2 no set, por exemplo). A cabeça já está comemorando, e o adversário volta.
Identificar o seu padrão é metade da solução. Se você sabe que tende a relaxar depois de abrir vantagem, pode se preparar para esse momento. Se você sabe que trava em break points, pode ter uma rotina específica para essas situações.
O problema é que a maioria dos jogadores não registra isso. Jogam, ganham ou perdem, e seguem em frente. Os padrões de vitória e derrota ficam invisíveis.
9. Registre e aprenda com suas partidas
Um diário de jogo não precisa ser complicado. Depois de cada partida, anote três coisas:
- Em que momentos você perdeu o foco?
- O que estava pensando quando errou pontos importantes?
- O que funcionou para se reconcentrar?
Depois de algumas partidas, padrões começam a aparecer. Talvez você perceba que sempre desconcentra no segundo set. Ou que erra mais quando o sol está forte. Ou que joga melhor contra adversários que conhece.
Esses insights são ouro. Você não pode corrigir o que não percebe.
10. Treine sob pressão simulada
Treine muito sob pressão
Foco em quadra se treina em treino, não só em jogo.
A maioria dos treinos é "pelada": trocar bola, jogar pontos, sem consequência. O problema é que o jogo real tem consequência. E quando a consequência aparece, o cérebro que nunca treinou sob pressão não sabe o que fazer.
Simulações ajudam: jogar sets com aposta simbólica, fazer jogos onde você começa perdendo 0-3, criar situações de tie-break no treino. Quanto mais você expõe o cérebro a situações de pressão em ambiente controlado, mais preparado ele fica para o jogo real.
Iga Swiatek conta que às vezes mente para si mesma sobre o placar durante treinos. Finge que está perdendo para manter a intensidade. Parece bobagem, mas funciona.
Conclusão: Foco se treina
A técnica te leva até certo ponto. Você pode ter o forehand mais bonito do clube e ainda perder para quem bate torto mas não entrega ponto.
Foco não é dom. É habilidade treinável, como qualquer golpe. Requer prática, repetição, ajustes. A diferença é que você treina fora da quadra também: meditação, visualização, registro de partidas. Não é trabalho extra. É parte do jogo.
O que separa quem evolui de quem fica estagnado geralmente não é talento. É sistema. Rotinas claras, objetivos de execução, análise dos próprios padrões. Jogadores que sabem exatamente onde perdem o foco conseguem se preparar para esses momentos. Jogadores que não sabem ficam surpresos toda vez que a cabeça some.
A pergunta final é: você vai continuar tratando foco como algo que "acontece ou não acontece", ou vai tratar como parte do treinamento?
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